O sofrimento silencioso: mulheres relatam solidão e falta de informação em casos de aborto em Sorocaba
O sofrimento silencioso: mulheres relatam solidão e falta de informação em casos de aborto Imagine viver um pesadelo no qual você passa pela situação mais vulnerável da sua vida diante de uma plateia que aponta o dedo. É mais ou menos assim que se inicia o turbilhão de sentimentos que rodeia uma mulher que passa por um aborto.
Cobertas de dúvidas, inseguranças e desinformação, elas conhecem a culpa e o medo, mas pouco sabem sobre os procedimentos aos quais serão submetidas. Às vezes, não descobrem nem o nome de quem as acompanha.
Apenas sabem que os seus corpos estão se mostrando incapazes de suportar dois desenvolvimentos ao mesmo tempo. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp Um levantamento inédito do g1 em dados do Sistema Único de Saúde (SUS) revela que, além da dor emocional, mulheres de Sorocaba (SP) são majoritariamente submetidas a um procedimento de esvaziamento uterino pós-aborto considerado mais doloroso, mais arriscado e não recomendado como primeira opção pela Organização Mundial da Saúde (OMS) há mais de uma década.
Mulheres relatam desinformação sobre procedimentos médicos pós-aborto Mariele Santos / TV TEM Às vezes, o cenário é diferente para cada mulher que passa pelo procedimento: tem quem seja atendida em um hospital e receba a garantia do atendimento médico até o momento da alta, mas também tem quem passe por isso sozinha, muitas vezes em casa, tendo de um a dois contatos de emergência.
Dentre todas as experiências, um apelo é comum: elas gostariam de ter tido mais informações, mais segurança e mais acolhimento. ‘O corpo sente’: o medo e a desinformação Cecília [nome fictício] é uma das mulheres que viveram essa experiência.
Na memória do dia em que seu corpo expeliu um feto, ela se lembra principalmente do medo de morrer sozinha. “Me falaram: ‘Se sair muito sangue, você chama a ambulância’.
Mas a gente não sabe quando a gente deve chamar e a gente tem medo, né?
Quando começamos a perder sangue, não sabemos o momento no qual devemos pedir socorro.
Para quem não teve contato com nada da área da saúde, não faz a menor noção de quando pedir ajuda.
O corpo não aguenta parar em pé.
Você sabe quando o corpo expele o feto, não sei explicar, mas o corpo sente”, conta.
Seis anos depois, as dores do episódio ainda a perseguem. “Você fica se sentindo horrível.
Fui procurar terapia seis anos depois, porque eu tinha muito medo de tudo, de sentir vergonha”, desabafa.
Uma dor a mais: os dados do DataSUS De acordo com o
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