Após tornado que destruiu 90% de cidade no Paraná, moradores tentam reconstruir em meio ao trauma: 'As crianças não ficam mais em casa quando chove'
Professora conta como alunos de creche vivem trauma do tornado que devastou cidade No começo da tarde de 17 de março, dois dias antes do aniversário de 34 anos do município de Rio Bonito do Iguaçu, fortes rajadas de vento atingiram a cidade, na região central do Paraná.
Segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do estado (Simepar), a velocidade do vento passou dos 70 km/h na região.
Nas ruas do centro da cidade, moradores saíram assustados para as portas das lojas, ligando para familiares para saber se estava tudo bem.
Todos olhavam para o céu e se lembravam do dia 7 de novembro de 2025, quando um tornado da categoria F4 (a segunda mais devastadora) cruzou a cidade de cerca de 14 mil habitantes.
Naquele dia, os ventos alcançaram velocidades próximas dos 400 km/h.
Seis pessoas morreram no município e pelo menos 750 ficaram feridas.
Cerca de 90% das construções da cidade foram danificadas ou completamente destruídas, de acordo com o relatório da Defesa Civil. ✅Siga o g1 Ponta Grossa e região no WhatsApp Segundo os moradores, o vendaval de março deste ano foi o primeiro desde a tragédia. “Aquele dia começou igual”, contou Roseli de Fátima Ribeiro, funcionária de um mercado da cidade. “É como se passasse um filme na cabeça da gente”, diz outra moradora. “Você imagina que vai vir de novo, que você vai viver tudo de novo”.
Assustados, os pais apareceram mais cedo no CMEI Pedacinho do Céu para buscar os filhos.
A escola é uma das oito que foram destruídas pelo tornado.
Agora, o CMEI funciona provisoriamente em um galpão emprestado pela Associação dos Servidores Públicos do município.
Com memórias muito vivas do trauma do tornado, os alunos, que têm entre 3 e 4 anos, entraram em pânico. “É choro, é um desespero, é aquele apavoramento.
Tem criança que chega a tremer o lábio.
A gente tinha uma criança ontem aqui, que estava com a mãe, que é nossa professora.
Ela entra em um estado de choque”, conta Elaine Rodrigues, coordenadora do CMEI.
Enquanto tentavam acalmar os alunos, as professoras disfarçavam o próprio medo.
A coordenadora do CMEI conta que pegou um rosário e uma Bíblia e passou a andar pelo espaço improvisado da escola, rezando.
Pedia proteção para as crianças. “A gente que é adulto consegue se virar”, diz.
Sede antiga do CMEI Pedacinho do Céu foi destruída.
Escola tem funcionado em espaço improvisado.
Maycon Hoffmann Nery de Lara Ribeiro, morador da comunidade Sol Nascente – antiga área de ocupação regularizada em 2022 –,
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