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Por que o movimento da ‘boa morte’ está em alta

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O Centro de Longevidade da Universidade Stanford mapeou um novo movimento: o da “boa morte”.

No Brasil, o assunto ainda causa desconforto e há poucas vozes que provocam a reflexão, como a médica Ana Claudia Quintana Arantes, autora do best-seller A morte é um dia que vale a pena viver.

No entanto, nos Estados Unidos, trata-se de um mercado em expansão, como esse blog já mostrou ao apresentar diversas iniciativas para debater a finitude.

Fim de vida: mercado da “boa morte” está em expansão Sabine van Erp para Pixabay O Death café, por exemplo, é um projeto criado pelo antropólogo suíço Bernard Cretazz em 2004, que também cunhou a expressão “sigilo tirânico” para descrever o medo e a rejeição que as pessoas têm de falar sobre a morte.

Por isso, o objetivo das reuniões é conversar sobre o fim e o luto, que faz parte da trajetória de todos nós.

Elas são realizadas em dezenas de países; no Brasil, há encontros mensais em diversas cidades.

As doulas de fim de vida têm algo em comum com suas equivalentes que acompanham gestantes: o trabalho de suporte emocional, físico e informativo.

São profissionais que não substituem médicos, enfermeiros ou as equipes de cuidados paliativos – seu papel é ajudar o paciente e seus familiares a lidar com o medo, a dor e os preparativos para o desfecho final, buscando maior autonomia para o indivíduo que está morrendo.

Nos EUA, o número de doulas de fim de vida cresceu significativamente: eram 260 em 2019 e, em 2024, 1.600. “A morte no jantar” (“Death over dinner”) é uma proposta do norte-americano Michael Hebb: como o nome diz, um jantar no qual o tema central é a forma como gostaríamos de viver nossos últimos momentos.

Já existe em dezenas de países e estima-se que mais de 100 mil pessoas participaram dos eventos.

Ações como essas vêm se multiplicando com o mesmo objetivo: mudar a maneira como a morte vem sendo tratada na civilização ocidental. “A medicina mantém uma visão iluminista de que a morte é um problema e que, se trabalharmos duro o suficiente, podemos resolvê-lo”, costuma dizer BJ Miller, médico de cuidados paliativos e coautor de A beginner’s guide to the end (Um guia para iniciantes sobre o fim).

Ele defende a mudança da visão predominante entre profissionais de saúde, que sustenta que a morte é algo que tira a vida, e não que faz parte da vida.

A atitude em relação à morte mudou muito ao longo do tempo.

No final do século XIX e início do XX, as pessoas frequentemente morriam em casa e esse era um aconte

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