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Lavagem da escadaria da Catedral: conheça a história da cerimônia que virou patrimônio de Campinas

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Cerimônia tradicional marca o sábado santo e reforça o combate à intolerância religiosa Há 41 anos, a agressão contra uma gari de Campinas (SP) que professava a própria fé por meio de um fio de conta no pescoço se transformou em uma das cerimônias religiosas mais tradicionais de Campinas.

A lavagem da escadaria da Catedral Metropolitana, que se tornou patrimônio imaterial da cidade em 2022, ocorreu neste sábado (4).

A história da cerimônia, no entanto, começou muito antes.

Nengua Dya Nikisi, a Mãe Dango, trabalhava na limpeza urbana quando foi agredida em frente à Catedral Metropolitana de Campinas. À época, estava com um ano de iniciação no Candomblé. 📲 Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp “Eu estava com meu fio de conta e fui xingada de feiticeira, maldita, um monte de nome.

Eu fiquei muito brava e me machuquei”, conta Nikisi.

Mãe Dango tem relação próxima com a origem da cerimônia de lavagem da escadaria da Catedral de Campinas Reprodução/EPTV A vítima dividiu a dor da experiência com as companheiras.

Uma delas, Mameto Oya Corajacy, refletiu. “Quando eu encontro com a Dona Jaci e conto isso, ela fala: ‘mãe, vamos fazer alguma coisa?’.

Mas fazer o quê?” “Vamos fazer a lavagem da escadaria, porque só tem lá na Igreja do Bonfim [de Salvador (BA)].

Vamos trazer.

E era na época de chegar a quaresma, por isso que é no Sábado de Aleluia”, resumiu Mãe Dango.

Corajacy afirma que a ideia também serviu de retribuição para a receptividade do campineiro: “Eu achei que devia trazer essa lavagem presenteando as pessoas de Campinas.

Uma troca por eu ser bem recebida aqui nessa cidade”.

Vida, purificação e esperança A tradicional Cerimônia da lavagem da escadaria da Catedral Metropolitana de Campinas, em foto de 2024 Reprodução EPTV O ritual é uma tradição das comunidades do Candomblé e de outras religiões de matriz africana para honrar a memória do povo Bantus, etnia da qual a maioria dos negros escravizados trazidos ao Brasil fazia parte.

Na escadaria, os religiosos derramam água de cheiro “aos pés de Nossa Senhora da Conceição” e esfregam cada degrau com vassouras. “Além da questão religiosa, a lavagem agrega um momento de muita fé e também a questão da cultura popular”, detalha Mãe Dango.

Segundo ela, as flores brancas e a água têm significado importante. “Quando você recebe uma flor, é porque a pessoa quer que você brote as coisas boas que têm dentro de você.

A flor é a vida, a água é o nosso nascimento, as energias, que são as pembas, repr

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