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Como um ensaio de despedida feito por uma família ajuda a humanizar a morte de pacientes com câncer

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Filhos fazem ensaio fotográfico de despedida com mãe antes dela morrer de câncer Uma família de Ji-Paraná (RO) transformou a despedida da matriarca em uma lembrança cheia de afeto e acabou chamando atenção nas redes sociais.

Após o diagnóstico de câncer em estágio avançado de Sônia Calegari, os familiares decidiram aproveitar ao máximo o tempo ao lado dela.

Organizaram uma viagem, um ensaio fotográfico e até anteciparam um chá de bebê.

Com o marido, os quatro filhos, o neto e dois genros, Sônia aparece em momentos de carinho nas fotografias feitas em 30 de setembro do ano passado.

Ela morreu pouco depois, em 28 de novembro. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias de RO em tempo real e de graça Mas, afinal, ensaios fotográficos de despedida ajudam pacientes e famílias a lidar com o fim da vida?

Especialistas dizem que sim: esse tipo de experiência pode trazer conforto emocional e dar um novo significado à morte.

Segundo a psicóloga, enfermeira e pesquisadora em cuidados paliativos, Glenda Agra, esses ensaios ajudam a olhar para o fim da vida de outra forma, tanto para o paciente quanto para a família. “Quando uma das filhas diz que queria ‘guardar aquele momento num potinho e reviver’, ela traduz exatamente a função desses ensaios: criar um lugar onde o tempo possa ser preservado”, explicou.

Esse tipo de experiência, segundo especialistas, também depende da forma como o tema da morte é conduzido no cuidado em saúde.

A médica de família com atuação em cuidados paliativos, Erika Lara, reforça que ainda há dificuldade em falar sobre o assunto, inclusive nos consultórios.

Para ela, abrir espaço para esse diálogo é parte essencial do cuidado. “Muitas vezes a pessoa quer falar, mas não encontra espaço com o profissional, ou ela é interditada até socialmente.

Quando a gente está aberto a escutar de forma ativa e empática, a gente valida aquilo que a pessoa está sentindo”, afirmou.

Na avaliação da médica, essa escuta ativa e respeitosa ajuda o paciente a se sentir reconhecido em sua experiência e contribui para decisões mais conscientes sobre o fim da vida.

De acordo com Glenda, quando a morte é compreendida como parte do processo, os registros ajudam a preservar o que ainda existe: o abraço, o olhar e a presença.

Mais do que fotos, viram provas dos vínculos construídos ao longo da vida.

A psicóloga explica que esse tipo de iniciativa também pode ajudar na aceitação da morte.

No caso da família, saber da gravidade da doença permitiu que todos escolhess

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