Cientistas descobrem que tumor pode ‘se alimentar’ de antioxidante do próprio corpo (e isso pode virar estratégia contra o câncer)
Freepik Uma substância conhecida por proteger as células do corpo pode, na prática, estar sendo usada por tumores como fonte de alimento. É o que mostra um estudo publicado na revista científica Nature e liderado por pesquisadores do Centro Médico da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, com participação do cientista brasileiro Fabio Hecht.
A pesquisa identificou que a glutationa (um antioxidante produzido naturalmente pelo organismo) pode ser “quebrada” no ambiente do tumor para alimentar seu crescimento. “Existe essa concepção de que antioxidantes sempre fazem bem, previnem doenças, inclusive câncer.
Mas os dados não mostram isso.
Em alguns casos, eles podem até atrapalhar”, explica Hecht. 👩🔬 🔬 Parece complicado?
O g1 te explica.
Veja os vídeos que estão em alta no g1 O que exatamente os cientistas descobriram Para entender a descoberta, dá para imaginar o tumor como uma estrutura que precisa de combustível constante para crescer.
E esse combustível pode vir de lugares inesperados.
A glutationa, por exemplo, sempre foi estudada pelo seu papel protetor: ela ajuda a neutralizar os chamados radicais livres, moléculas associadas a danos celulares.
Mas o novo estudo mostra que, dentro do ambiente do tumor, ela pode ter outra função.
Os pesquisadores descobriram que uma enzima do próprio corpo, presente nesse ambiente, “quebra” a glutationa em partes menores —e o câncer aproveita esse material como fonte de energia. “Quando essa molécula é quebrada, ela libera aminoácidos.
E um desses aminoácidos vai direto para o metabolismo do tumor, o ajudando a crescer”, diz Hecht.
Uma peça-chave chamada cisteína Entre os componentes liberados nessa “quebra”, um se mostrou essencial: a cisteína.
Foi ela que, na prática, sustentou o crescimento das células tumorais. “Testamos os três aminoácidos oriundos da glutationa e vimos que o único realmente indispensável para o tumor era a cisteína”, afirma o pesquisador.
A cisteína funciona como uma espécie de escudo para as células —inclusive as cancerígenas.
Segundo o oncologista Stephen Stefani, do grupo Oncoclínicas e da Americas Health Foundation, ela ajuda a proteger o tumor contra condições adversas. “A cisteína permite que a célula tumoral sobreviva em um ambiente hostil.
Ela reduz o estresse oxidativo e funciona como uma proteção, quase uma blindagem”, explica.
Ou seja: além de alimentar, o processo também ajuda o tumor a se defender.
O que acontece quando esse ‘combustível’ é bloqueado A parti
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