Como nasceu o dogma da virgindade de Maria, mãe de Jesus
Obra da Imaculada Virgem Maria, no céu, feita por Barbolomé Esteban Murillo em 1678 Domínio Público Em 25 de março, exatamente nove meses antes do Natal, um anjo teria aparecido para Maria — então uma jovem prometida em casamento — e anunciado que ela seria mãe do filho de Deus. “Mas como isso acontecerá, se eu não conheço homem algum?”, ela teria perguntado ao anjo, segundo o Evangelho de Lucas.
De acordo com o texto sagrado, Maria não havia tido nenhuma relação sexual que justificasse sua gravidez. “O Espírito virá sobre você, e o poder do Altíssimo vai cobri-la com sua sombra.
Por isso, o menino que vai nascer será chamado Santo, Filho de Deus”, explicou o anjo, enfatizando que “para Deus nada é impossível”.
Veja os vídeos que estão em alta no g1 Biblicamente, foi isso que ocorreu, ainda que o processo desafie a lógica da biologia.
Este diálogo, contudo, que teria ocorrido há pouco mais de dois mil anos, está na base de todas as religiões cristãs — da católica às neopentecostais, passando por todos os tipos de igrejas protestantes históricas.
E não só igrejas cristãs.
Para o islamismo, que vê Jesus como um grande profeta, Maria é símbolo de pureza e também considerada virgem.
Pesquisas recentes, contudo, entendem que a ideia da virgindade de Maria não foi algo contemporâneo a ela.
Em outras palavras, aqueles que conviveram com Jesus Cristo não pareciam preocupados com essa questão.
A ideia de uma concepção virginal foi construída pela História e pela Teologia ao longo dos séculos seguintes — e há variações de compreensão disso, de acordo com a denominação religiosa praticada.
Analisando essa evolução, o que parece é que para os primeiros seguidores de Cristo, aqueles que conviveram com ele e possivelmente conheceram sua mãe, esta questão não se apresentava como relevante.
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O que diz a antiga crença cristã À medida, contudo, que dúvidas começam a surgir a respeito da paternidade biológica do mesmo, passou-se a fazer necessário uma explicação que justificasse a gravidez de Maria.
E a explicação então passou a se apoiar no transcendental. “Seja como cristão, seja como não-cristão, o ponto sobre aceitar o nascimento virginal tem a ver com a crença na possibilidade de milagres”, disse à BBC News Brasil o historiador Philip C.
Almond, em conversa por e-mail. “Se você não aceitar a possibilidade de milagres, ou seja, de Deus intervindo no mundo natural
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