Tema

Mentira compulsiva existe? O que a ciência já sabe sobre a mitomania e por que ela vai além de ‘mentir demais’

· Português· G1

Mentira: até que ponto é saudável?

AdobeStock A maioria das pessoas mente pouco ou nada no dia a dia —e um grupo pequeno concentra grande parte das mentiras. É o que mostram estudos sobre comportamento humano, como o levantamento conduzido por pesquisadores da Texas Woman’s University e da Angelo State University, publicado na revista Current Psychology.

Em parte desses casos, porém, a mentira deixa de ser pontual e passa a ser frequente, persistente e difícil de controlar —um padrão que especialistas descrevem como mentira compulsiva (ou mitomania).

Embora o termo seja conhecido há mais de um século, ele não aparece como um diagnóstico formal nos principais manuais de psiquiatria.

Ainda assim, a literatura científica e a prática clínica reconhecem o fenômeno como um comportamento que pode causar sofrimento psicológico e prejuízos nas relações sociais.

Veja os vídeos que estão em alta no g1 Mentira comum x compulsiva: qual a diferença A principal diferença entre mentir ocasionalmente e apresentar um padrão patológico está na intenção e no controle sobre o comportamento.

Segundo o psicanalista Christian Dunker, professor titular em psicanálise e psicopatologia do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, a mentira comum é um ato dirigido. “A mentira presume um desejo de enganar o outro, uma intencionalidade.

Ela é contextual, tem um objetivo claro”, afirma.

Já na mentira compulsiva, esse controle se perde. “A ideia de uma patologia da mentira implica uma espécie de coerção.

A pessoa não consegue não mentir”, explica Dunker.

Nesse caso, a mentira deixa de ser estratégica e passa a ocorrer de forma repetitiva, muitas vezes sem ganho evidente.

A psicóloga clínica Marilene Kehdi explica que, enquanto a mentira comum costuma ter um objetivo —como evitar punição ou obter vantagem—, a mitomania é marcada por mentiras frequentes e desnecessárias, muitas vezes sem benefício claro.

Freepik Quando a mentira vira um problema A ciência ainda não reconhece a mitomania como um transtorno isolado.

Mesmo assim, estudos recentes vêm tentando caracterizar melhor o comportamento.

Uma das propostas mais aceitas é que a mentira patológica envolve um padrão crônico, persistente e generalizado, associado a sofrimento psicológico e prejuízo no funcionamento social —critérios semelhantes aos usados para definir outros transtornos mentais.

Pesquisas também mostram que o comportamento segue um padrão ao longo da vida: mentir é mais comum na infância e adoles

原文链接: G1