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'Vazio muito grande na alma': famílias relatam dor de perder mães e filhas mortas por feminicídio

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Feminicídios apontam para necessidade de reforço do sistema de proteção às mulheres Minas Gerais terminou 2025 com 177 mulheres assassinadas.

Mais do que vítimas, são 177 famílias dilaceradas por perdas insuperáveis.

Kate Emanuelle da Costa, de 37 anos, foi morta no dia 10 de dezembro de 2024.

Vizinhos ouviram gritos vindos da casa dela.

Eles tentaram, mas não conseguiram impedir que o companheiro dela, Marcus Vinícius Lopes, a matasse, a sangue frio, com várias facadas.

Ela deixou oito filhos. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 MG no WhatsApp “Com certeza, nada que fizer vai ocupar o lugar dela. É uma falta, uma dor que a gente vai conviver com ela para o resto das nossas vidas.

Mas a gente crê que em Deus tudo vai dar certo.

E tenta tocar a bola pra frente”, disse o filho mais velho.

Hoje com 20 anos, é ele quem cuida dos irmãos.

Recém-saído da adolescência, o rapaz, agora, é mãe e pai.

Para sustentar a família, ele trabalha como motoboy, DJ e produtor musical. “Minha primeira reação foi ver meus irmãos para saber onde eles estavam e de tomar as providências para cuidar deles.

Tudo o que me restou são eles. […] Eu faço a janta, lavo a roupa, levo na escola, tem que levar no posto, nas consultas. É difícil, mas a gente vai encaixando tudo”, falou.

Kate Emanuelle da Costa, de 37 anos, foi morta a facadas.

Suspeito é o companheiro da vítima.

Reprodução/TV Globo Órfãos da violência Em 2025, o Brasil registrou recorde de feminicídios.

Foram 1.470 casos, uma média de quatro mulheres assassinadas por dia.

Minas Gerais ficou em segundo lugar nesse ranking.

O país consegue quantificar as mortes, mas não dá conta de medir as tantas vidas que ficam marcadas depois disso. “Não se fala nisso.

Mas se você for fazer pesquisas acadêmicas sobre adolescentes, por exemplo, infratores, com os quais eu lidei ao longo de vários anos, todos são vítimas de famílias desestruturadas, de lares de agressividade. […] Até onde vai a responsabilidade do estado?

Ela se exaure ali na aplicação da pena?

Não.

Com uma sentença?

Não.

Isso é abandono”, afirmou a desembargadora Valéria Rodrigues.

No âmbito federal, o governo regulamentou uma pensão para filhos de vítimas de feminicídio.

Um salário mínimo por mês até os 18 anos de idade.

Para receber, a família deve ter cadastro atualizado no CadÚnico, e a renda familiar por pessoa não pode ultrapassar um quarto do salário mínimo.

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