Vírus 'espionam' sinais uns dos outros e podem ser enganados por rivais, mostra estudo
Colônia da bactéria Bacillus subtilis cultivada em meio sólido; estruturas mostram como microrganismos se organizam e crescem coletivamente.
Elvina Smith Vírus são capazes de “escutar” conversas químicas trocadas por outras espécies de vírus — e essa espionagem pode sair pela culatra. É isso o que mostra um estudo publicado nesta terça-feira (31) na prestigiada revista científica “Cell” por pesquisadores da Universidade de Exeter, no Reino Unido. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça A descoberta revela que a comunicação viral é mais complexa e imprevisível do que se imaginava, e abre caminho para entender como infecções se desenvolvem em ambientes com múltiplos vírus presentes ao mesmo tempo. 🦠 Os vírus estudados são os chamados fagos, que infectam bactérias e são encontrados em abundância no solo.
Ao invadir uma célula bacteriana, esses vírus enfrentam uma escolha estratégica: matar a célula imediatamente, liberando cópias de si mesmos para infectar outras bactérias próximas, ou se camuflar dentro do genoma da bactéria e aguardar um momento mais favorável.
Essa segunda opção, chamada lisogenia, é uma forma de dormência: o vírus fica “adormecido” dentro da célula hospedeira, sem causar dano imediato, à espera de melhores condições.
Veja os vídeos que estão em alta no g1 Para tomar essa decisão, alguns fagos usam um sistema de comunicação química chamado “arbítrio”.
Durante a infecção, eles liberam pequenas moléculas no ambiente.
Quando essas moléculas se acumulam, é sinal de que muitas células já foram infectadas e o estoque de hospedeiros está escasso: hora de entrar em modo de espera.
Mas quando a concentração é baixa, o caminho é atacar.
O sistema funciona como um termômetro da situação, uma leitura do ambiente antes de agir. ❗O que o novo estudo revelou é que esse sinal NÃO fica restrito aos vírus da mesma espécie.
Outros fagos, alguns deles muito distantes geneticamente do emissor, conseguem captar essas mensagens e responder a elas, mesmo que o sinal não tenha sido feito para eles e não reflita de forma precisa a situação em que se encontram. “Quando um fago detecta sinais de outra espécie, ele tende a entrar em dormência em vez de matar a célula e liberar novos vírus, mesmo que a mensagem não tenha sido feita para ele e não reflita sua própria situação”, disse ao g1 a ecologista molecular Robyn Manley, da Universidade de Exeter e autora do estudo.
O resultado é que o vírus que interceptou o sinal errado pode toma
原文链接: G1
