Pesquisadores identificam sala onde ditadura simulou suicídio de Vladimir Herzog
Caso Herzog: o fim de um mistério Uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo identificou o cenário de uma das cenas mais simbólicas da ditadura militar no Brasil.
Uma equipe de historiadores, arqueólogos e arquitetos encontrou a sala onde foi montada a farsa da morte do jornalista Vladimir Herzog, em 1975, no DOI-Codi, centro de repressão que funcionava na região central de São Paulo.
O local exato da encenação era um enigma que durava mais de 50 anos.
A descoberta foi possível após a análise de estruturas do prédio, como paredes, piso e teto, e o cruzamento dessas informações com registros históricos e imagens da época.
Segundo os pesquisadores, o som oco de uma parede ajudou a revelar um espaço escondido e levou à identificação do ambiente. “Trazer luz para esse acontecimento é dar voz também a outras tantas pessoas que também foram presas, torturadas, sequestradas e tiveram seus direitos violados aqui nesse edifício”, afirmou Deborah Neves, coordenadora do grupo de trabalho do Memorial DOI-Codi.
Prédio foi centro de tortura da ditadura O DOI-Codi, sigla para Destacamento de Operações de Informações, Centro de Operações de Defesa Interna, funcionava no prédio analisado pela equipe.
No local, presos políticos foram detidos, torturados e mortos durante o regime militar.
Durante as escavações, os pesquisadores encontraram marcas feitas por um prisioneiro para contar os dias no cárcere.
Os registros estavam escondidos sob camadas de tinta e azulejo.
Na década de 1980, o edifício passou por reformas para abrigar o Instituto de Criminalística, o que alterou parte das estruturas originais. “Alguns elementos já indicam isso, como esses balcões revestidos com azulejo e o piso vinílico, a cobertura com esse piso vinílico são alterações produzidas provavelmente a partir do ano de 1985”, disse Deborah Neves.
A farsa da morte de Herzog Cela onde Vladimir Herzog foi morto.
Reprodução/Fantástico O maior desafio da equipe foi identificar a sala onde foi tirada a imagem que se tornou símbolo da ditadura.
A foto mostra o corpo de Vladimir Herzog pendurado pelo pescoço na grade de uma janela.
A cena foi montada para sustentar a versão oficial de suicídio.
Na realidade, o jornalista foi torturado e morto no DOI-Codi.
Herzog era diretor de jornalismo da TV Cultura e havia sido convocado a prestar depoimento. “Algumas pessoas inclusive orientaram ele, recomendaram: ‘Não vai, a ditadura tá pegando’.
Ele disse pra Clarice: ‘Fica tranquila, não tem por que
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