Médico cria receitas com desenhos para pacientes que não sabem ler e muda tratamento de doenças no Sertão
VÍDEO: 14467217 No Sertão pernambucano, na zona rural de Petrolina, um médico se deparou com um abismo invisível para muitos, mas que separava pacientes atendidos do tratamento que podia salvar suas vidas: o analfabetismo e o letramento rudimentar, que impediam os pacientes de compreender as orientações escritas nas receitas.
A 700 quilômetros da capital, Recife, a realidade da medicina que Lucas Cardim exerce é bem diferente da dos grandes centros.
Ele percebeu que, por mais legível que fosse a letra do médico, o paciente não conseguia entender o tratamento.
O problema é que elas não sabiam ler, e o receituário padrão oferecido pelo SUS não era capaz de ajudar.
Isso criava um abismo em que, mesmo tendo atendimento médico, o paciente seguia adoecendo.
Em seu atendimento, conheceu dezenas de pessoas que, sem saber ler, não se tratavam e eram afetadas por doenças graves. ✍️ Hoje, essa é a realidade de mais de 11 milhões de pessoas no Brasil, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O Brasil é um país muito desigual.
Quando cheguei ao consultório, encontrei um abismo.
Muitas vezes, o paciente tinha acesso ao medicamento e à consulta, mas não conseguia se tratar porque não conseguia entender.
Então, para mim, foi chocante, porque a gente tem a ideia de que muitos adoecimentos acontecem pela falta de acesso.
Nesse caso, existe o encontro, só não existe a comunicação entre o profissional de saúde e o paciente.
Quando percebeu o problema, Lucas fazia os desenhos à mão, sinalizando ao paciente se o medicamento deveria ser tomado pela manhã — usando uma xícara de café — ou ao dormir, com uma lua e estrelas ao lado.
E até a quantidade de comprimidos, com círculos ao lado. (Veja a imagem abaixo) No começo, Lucas sinalizava nas receitas com desenhos Arquivo Pessoal Ele explica que isso tomava tempo da consulta e, às vezes, constrangia o paciente, que tinha vergonha de que ele passasse um tempo desenhando como seria o tratamento.
Foi quando pediu ajuda ao amigo Davi, também de Petrolina, mas que hoje trabalha como engenheiro de software no Google, na Suíça.
Juntos, eles criaram a plataforma Cuidado para Todos — um site com a lista dos remédios mais frequentemente usados na atenção primária.
Para cada um deles, há uma série de ícones pré-definidos que ajudam o paciente a entender o tratamento.
O médico só precisa pesquisar o remédio, clicar nos que quer colocar na receita, imprimir e entregar ao paciente. (Veja a ima
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