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Guerra no Irã ameaça chips e pode encarecer de balões a celulares

· Português· G1

O bloqueio do Estreito de Ormuz tem consequências que vão além da indústria do petróleo.

O efeito cascata também atinge a cadeia produtiva dos semicondutores, presentes em quase todos os aparelhos eletrônicos.

Produtos muito diferentes entre si devem ficar mais caros com a guerra no Irã.

A explicação está no comércio do gás hélio.

O fechamento do Estreito de Ormuz estrangula o transporte desse insumo estratégico para a economia global.

Além de encher balões de festa, o gás hélio é usado para resfriar equipamentos na fabricação de semicondutores, que estão em quase tudo o que se usa hoje, inclusive em chips de memória de celulares.

Com a crise, os chips podem ficar escassos no mercado.

O Catar é responsável por mais de um terço da produção mundial de hélio.

Já a Coreia do Sul é a maior fabricante de chips de memória do mundo.

Um depende do outro: o país do Oriente Médio responde por 65% do gás hélio importado pelos sul-coreanos.

A interrupção dessa rota pode atrasar a produção de chips por meses.

Os maiores fabricantes, como Samsung e SK Hynix, buscam alternativas para manter o abastecimento da indústria.

O Catar, que tem sido alvo de mísseis iranianos, suspendeu a produção de gás hélio enquanto o Estreito de Ormuz estiver fechado.

Os Estados Unidos podem se beneficiar da venda do insumo.

O Texas é um dos maiores produtores de hélio. É o que explica o consultor Phil Kornbluth, especialista nesse mercado.

Em entrevista ao Jornal Nacional, ele afirmou que o mundo consegue substituir apenas parte das perdas com o Catar: “Há alguma capacidade de usar estoques existentes, porque os níveis estavam saudáveis, e também é possível retirar hélio gasoso de instalações de armazenamento na costa do Golfo do Texas, em Beaumont.

Mas essas instalações não têm capacidade de purificação e liquefação.

Por isso, o hélio retirado dessas cavernas precisaria ser colocado em caminhões e transportado até unidades de liquefação no Kansas, para ser transformado em líquido.

Em termos gerais, o mundo consegue substituir cerca de metade do que está perdendo do Catar, mas não tudo.” O hélio tem uma infinidade de utilidades, o que se explica por suas propriedades químicas.

Ele faz os balões flutuarem por ser menos denso que o ar.

No estado líquido, atinge temperaturas mais baixas do que qualquer outro gás, próximas de 270 graus Celsius negativos, muito perto do chamado zero absoluto.

Essa capacidade de resfriamento extremo dissipa o calor intenso gerado na produção de

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