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Paula Santoro canta Lô Borges e Milton Nascimento com toda a propriedade (e promessa de vida) em show no Rio

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Paula Santoro apresenta o show ‘Tudo que você podia ser’ no palco do Acaso Cultural, no Rio de Janeiro (RJ), na noite de ontem, 28 de março Mauro Ferreira / g1 ♫ CRÍTICA DE SHOW Título: Tudo que você podia ser Artista: Paula Santoro Data e local: 28 de março de 2021 no Acaso Cultural (Rio de Janeiro, RJ) Cotação: ★ ★ ★ ★ ♬ “Tenho muito o que viver”.

Esse verso da letra de “Travessia” (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1967) adquiriu sentido pleno para Paula Santoro no show apresentado pela cantora mineira com o pianista Rafael Vernet no teatro do Acaso Cultural, charmoso polo de arte que abriu as portas em outubro na cidade do Rio de Janeiro (RJ). É que a apresentação do show “Tudo que você podia ser” na noite de ontem, 28 de março, simbolizou renovada promessa de vida no coração da artista.

Foi a primeira vez em que Paula Santoro subiu ao palco já totalmente curada do câncer que enfrentou ao longo de 2025.

A celebração da cura foi explicitada ao fim do show em fala dirigida à plateia repleta de amigos, familiares, alunos (Santoro também é professora de canto e fonoaudióloga) e jornalistas admiradores dessa cantora de exemplar técnica vocal.

O show “Tudo que você podia ser” é desdobramento do show anterior de 2024, feito por Paula em duo com o mesmo Rafael Vernet, pianista e arranjador gaúcho com quem a cantora trabalha há anos.

No show anterior, a cantora dava voz aos compositores mineiros agregados entre o fim dos anos 1960 e o início da década de 1970 em torno de Milton Nascimento, líder da turma fundadora do movimento conhecido como Clube da Esquina.

No show “Tudo que você podia ser”, o foco do roteiro reside somente nos cancioneiros de Milton Nascimento e Lô Borges (1952 – 2025), sendo que as músicas da discografia solo de Lô compõem a real novidade do repertório do show atual no confronto com o roteiro de 2024.

Hábil no garimpo e na lapidação do ouro de Minas, Paula Santoro é cantora vocacionada para desbravar os inusitados e por vezes intrincados caminhos harmônicos da obra de Lô Borges, como mostrou ao dar voz à música “O caçador” (Lô Borges e Márcio Borges, 1972), apresentada no primeiro álbum solo de Lô, conhecido popularmente como “O disco do tênis” pela fotografia de Cafi (1950 – 2019) exposta na capa do LP.

Por meio dos versos do letrista Márcio Borges, “O caçador” retratou o clima de tensão de tempo nublado em que os defensores da liberdade eram os alvos preferenciais do aparelho repressivo em vigor do Brasil nos anos 1970.

O terro

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