Por que grupos antivacina do Telegram ameaçam saúde pública no Brasil, segundo Unicamp
Grupos antivacina do Telegram ameaçam saúde pública no Brasil Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) analisaram, entre 2020 e 2025, mais de quatro milhões de mensagens publicadas no Telegram.
O objetivo foi entender como conteúdos antivacina circulam no Brasil e por que representam risco à saúde pública. 🤖 O estudo, conduzido pelo Laboratório de Inteligência Artificial Recod.ai, identificou redes organizadas, uso de robôs e estratégias coordenadas que influenciam a recusa à vacinação.
O banco de dados reúne 5,5 terabytes de informações, com conteúdos compartilhados por mais de 71 mil usuários em 119 grupos.
Segundo os pesquisadores, o Telegram é um terreno fértil para a desinformação, já que oferece condições como menor moderação e maior anonimato.
Além disso, a coleta de dados em outras plataformas é mais restrita. “Além de ser mais fácil tecnicamente a extração, o Telegram também se tornou um refúgio da desinformação, por conta dessa moderação que é mais maleável ali dentro”, afirma a pós-doutoranda Christiane Versuti, formada em ciências Sociais e comunicação e uma das pesquisadoras.
A estrutura de disseminação também é organizada.
De acordo com os pesquisadores, há diferentes tipos de canais e funções bem definidas dentro dessa rede. “Existem canais que somente mandam desinformação, existem canais que recebem e que mandam e existem canais que só recebem.
Pelo volume, ficou claro, por exemplo, que existem robôs por trás disso”, explica a doutoranda Michelle Diniz Lopes, ntegrante da equipe de pesquisa, graduada em matemática e especialista em estatística e neurociências.
Mensagens com desinformação são compartilhadas em grupo do Telegram Recod.ai/Reprodução Da venda de carteirinhas a ‘protocolos alternativos’ A pesquisa mostra que esses grupos vão além da desinformação.
Eles também funcionam como espaços de práticas ilegais e potencialmente perigosas. “A gente vê crimes acontecendo ali de fraude, de venda de carteirinha”, afirma Versuti.
Segundo os pesquisadores, há oferta de comprovantes falsos de vacinação, usados para burlar exigências sanitárias.
Também circulam anúncios de “protocolos alternativos”, como supostos tratamentos ou métodos de “desintoxicação” pós-vacina, sem qualquer base científica.
Além disso, há venda de cursos, suplementos e até hormônios, como testosterona, associados a promessas de melhora de saúde.
Esses conteúdos incentivam a substituição de cuidados médicos por práticas não comprovadas. “Par
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