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Pagar bônus de performance a policiais reduziu crimes no Rio

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Formatura de PMs do Rio no Cefap Philippe Lima/Divulgação O pagamento de bônus financeiros vinculados a performance na administração pública é uma prática testada e estudada na educação, mas poderia ser útil também para a segurança, principal preocupação dos brasileiros?

Um estudo publicado no início de março no Journal of Policy Analysis and Management, feito por cinco pesquisadores brasileiros, analisou uma política pública de segurança no estado do Rio de Janeiro de 2009 a 2015 que pagou bônus financeiros aos policiais militares e civis de áreas que cumprissem metas semestrais da redução de três crimes: mortes violentas, roubos de veículos e roubos de rua.

O valor pago era o mesmo para todos os policiais da respectiva Área Integrada de Segurança Pública (AISP), independente da patente, tempo no cargo ou se militar ou civil.

O bônus semestral, que variou ao longo do programa, ficava entre 500 a 4 mil dólares – ou até R$ 13 mil época –, quando um policial militar em início de carreira ganhava cerca de mil dólares por mês. “Era um dinheiro bem importante.

Para um coronel, talvez menos do salário de um mês.

Mas, para um policial militar [de menor patente], o salário de alguns meses”, afirma à DW Sandro Cabral, professor titular de estratégia e gestão pública do Insper e autor principal da pesquisa.

As cerimônias de pagamento dos bônus também podiam contar com a presença de autoridades, como o governador, adicionando uma recompensa simbólica pelo cumprimento da meta.

A pesquisa concluiu que, quando a meta estabelecida para redução de crimes no semestre ainda era alcançável e, portanto, os policiais estavam motivados para tentar receber o bônus, havia uma queda no registro dos três crimes monitorados – da ordem de 6,9% de mortes violentas, 6,3% de roubos de veículos e 8,5% de roubos de rua, comparado com a média.

A metodologia da pesquisa Policiais no CEFAP Aline Massuca/Divulgação Como todas as 39 AISP do Rio de Janeiro participavam do programa de pagamento por performance, não era possível para os pesquisadores comparar o efeito do bônus entre áreas inscritas e não inscritas.

Para contornar essa limitação, eles compararam a evolução dos índices de criminalidade entre áreas que, num dado mês, ainda tinham condições de receber o bônus semestral, e áreas que já haviam estourado a meta semestral e, portanto, não tinham mais chance de receber o pagamento extra.

Um exemplo hipotético: em uma AISP a meta para aquele semestre é ficar abaixo de seis mortes

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