Famílias vivem sob ponte há 30 anos em MT e cenário expõe déficit de políticas públicas
Comunidade sobrevive embaixo da Ponte Júlio Muller, em Mato Grosso, há cerca de 30 anos Debaixo da Ponte Júlio Müller em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá, famílias vivem em moradias improvisadas há cerca de 30 anos.
O local, às margens do rio, reúne casas construídas sob o concreto da ponte e evidencia a falta de moradia digna e de políticas públicas estruturadas para habitação no município.
O g1 visitou o local diversas vezes ao longo de um mês.
No início, os moradores evitavam conversar.
Com o passar dos dias, aceitaram falar sobre a permanência na área.
Quando perguntados sobre o motivo de estarem ali, disseram que a decisão de permanecer está ligada à pesca e à relação construída com o lugar ao longo dos anos. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MT no WhatsApp Hoje são três casas ocupadas.
No passado, foram nove.
Os moradores sobrevivem principalmente da pesca e da criação de galinhas, patos e porcos.
Mesmo em condições precárias, as residências possuem acesso à energia elétrica e água encanada.
Os moradores preferem se identificar por apelidos ou pelo primeiro nome. “Jacaré” vive sozinho e cuida da horta e dos animais. “Nardo” mora com a família e costuma intermediar questões entre os vizinhos.
Já Vitória, que utiliza cadeira de rodas, vive com o marido, que participa da pesca.
A ocupação A existência das famílias no local também aparece em registros da Prefeitura de Várzea Grande.
Segundo o município, equipes da assistência social já realizaram visitas e o acompanhamento atualmente é feito pelo Centro de Referência de Assistência Social (CRAS).
A prefeitura informou que não há plano de retirada das famílias.
A ocupação começou em 1994, com cerca de 30 pessoas que viviam do outro lado da ponte, em Cuiabá.
Todos tinham a pesca como principal atividade.
Em 1997, a prefeitura da capital ofereceu casas para que deixassem a área.
Parte aceitou a proposta.
Os demais atravessaram o Rio Cuiabá em barcos de madeira e se instalaram no lado de Várzea Grande, onde permanecem até hoje.
O local fica em uma Área de Preservação Permanente (APP), pela proximidade com o Rio Cuiabá, segundo o Código Florestal, o que torna a ocupação irregular.
Infográfico - Comunidade sobrevive embaixo da Ponte Júlio Muller, em Mato Grosso, há cerca de 30 anos Arte/g1 Entre os primeiros moradores está o pescador Jânio de França Campos, de 54 anos.
Mesmo com mobilidade reduzida e morando atualmente em outra região, ele continua frequentando o local.
原文链接: G1
