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Zizi Possi chega aos 70 anos com a voz límpida e o canto depurado após ter superado graves problemas de saúde

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izi Possi completa 70 anos neste sábado, 28 de março Danilo Borges / Divulgação ♫ ANÁLISE ♬ Nascida em 28 de março de 1956, Maria Izildinha Possi – Zizi Possi, para o público – chega hoje aos 70 anos no posto de uma das grandes cantoras do Brasil.

Belíssimo registro de soprano, a voz límpida da cantora paulistana (do Brás) se conserva em forma – fato incomum para timbres agudos, menos imunes ao efeitos naturalmente corrosivos do tempo.

E esse tempo, sempre rei, somente depurou o canto de Zizi e a inteligência da intérprete, dona de entendimento preciso da canção brasileira.

A técnica da voz cristalina e extremamente afinada é perfeita, mas, à exemplar emissão vocal, Zizi sempre adicionou uma emoção real condizente com o sentido da letra da música a que dá voz.

Zizi Possi nunca foi do melodrama, nunca pecou pelo excesso.

O sentimento da intérprete soa mais concentrado, interiorizado.

E, não, Zizi nunca sai do tom.

Por isso, os registros dos discos de estúdio se assemelham muito às interpretações dos shows.

Infelizmente, para os admiradores e seguidores da artista, Zizi tem feito menos shows do que o público gostaria, principalmente fora da cidade de São Paulo (SP).

São apresentações geralmente espaçadas.

A discografia tampouco vem sendo ampliada com a frequência com que se espera de uma cantora do porte de Zizi.

Revelada com o álbum “Flor do mal”, lançado em 1978, Zizi Possi gravou álbuns regularmente nos anos 1980 e 1990.

Contudo, a discografia da cantora foi perdendo impulso a partir dos anos 2000.

Basta dizer que o último álbum de estúdio de Zizi, “Bossa”, foi lançado em 2001, há já inacreditáveis 25 anos!

De lá para cá, foram lançados três registros de show – “Pra inglês ver… e ouvir” (2005), “Cantos & contos 1 e 2” (2010, em dois volumes avulsos editados somente em DVD) e “Tudo se transformou” (2014) – e o EP “O mar me leva” (2016), lançado há dez anos.

Requintado disco de mornas, gênero musical de Cabo Verde que a cantora africana Cesária Évora (1941 – 2011) pôs no mapa-múndi musical na década de 1990, o EP “O mar me leva” foi gravado com músicos portugueses e soou irretocável, à altura do histórico discográfico de Zizi, embora tenha passado em silêncio quase absoluto até para parte do público da cantora.

Para a grande maioria dos seguidores da artista, as músicas que batem mais forte na memória afetiva são “Asa morena” (Zé Caradípia, 1982) e “Perigo” (Nico Rezende e Paulinho Lima, 1985), sucessos de uma fase – os anos 1980 – em que

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