Como agem as quadrilhas especializadas no furto de celulares em shows e festivais como o Lollapalooza
Celulares furtados no Lollapalooza, em São Paulo, recuperados pela polícia Polícia Civil/Divulgação Tudo o que se tem são 15 minutos — e dezenas de milhares de pessoas no meio do caminho. É um desafio para quem tenta cruzar o Autódromo de Interlagos ao fim de um show e alcançar outro palco, às vezes a mais de cem de metros de distância, antes do início da próxima apresentação.
O empurra-empurra é inevitável, e as mãos nada podem fazer senão se entrelaçar às dos amigos, na tentativa de não perdê-los de vista — quem se solta desaparece, já que o sinal de telefone costuma falhar.
Quando chove — o que é frequente nesta época do ano —, tudo vira lama, e é preciso ainda calcular cada passo para se manter de pé.
Grandes festivais de música em São Paulo, como o The Town e o Lollapalooza — que teve sua última edição neste fim de semana —, são assim.
Essas condições viraram, nos últimos anos, a tempestade perfeita para a atuação de quadrilhas especializadas no furto de celulares em shows.
Veja os vídeos que estão em alta no g1 A Polícia Civil de São Paulo disse à BBC News Brasil que mapeou três grupos, formados em média por dez pessoas, que teriam cometido esse crime.
Eles são diferentes dos criminosos que atuam nas ruas no dia a dia, segundo o delegado Luiz Alberto Guerra, do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope).
Disfarçados de fãs, eles adotam os mesmos códigos visuais do público e acompanham as tendências de cada edição — desta vez, predominaram camisetas temáticas e looks cor-de-rosa, com calças largas, peças brilhantes e leques.
Foi vestida dessa forma que uma jovem, na casa dos 20 anos, foi presa no primeiro dia do evento, na sexta-feira (20), carregando 11 celulares e uma câmera digital nos bolsos e nas roupas íntimas.
A maioria dos aparelhos era composta por iPhones, incluindo o modelo mais recente, que pode custar até R$ 11.500.
O caso é semelhante ao de outras cinco pessoas presas no fim de semana anterior, nos arredores do estádio Allianz Parque, também na capital paulista, onde acontecia um show do cantor sertanejo Luan Santana, que reuniu mais de 50 mil pessoas.
Em comum, está o investimento: eles desembolsam centenas de reais para comprar um ingresso — no caso do Lollapalooza, neste ano, R$ 1.659,44 pelos três dias de evento — certos de que os furtos renderão mais do que isso.
São criminosos jovens, em geral com menos de 30 anos, o mesmo perfil predominante do público, diz o delegado. É como se unissem a diversão dos show
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