Rodrigo Portella chega premiado ao Festival de Curitiba
Poucos dias depois de subir ao palco para receber o Prêmio Shell de Teatro, Rodrigo Portella desembarca em Curitiba com a agenda cheia e os ingressos esgotados.
O diretor, dramaturgo e um dos nomes mais influentes do teatro brasileiro contemporâneo apresenta duas montagens na 34ª edição do Festival de Curitiba, entre elas a premiada adaptação de Ensaio sobre a Cegueira. À frente do espetáculo “(Um) Ensaio sobre a Cegueira”, Portella conquistou o Shell de Melhor Direção em 2026, repetindo um reconhecimento que já havia recebido em 2018 por Tom na Fazenda.
A montagem, realizada com o Grupo Galpão, atualiza para o presente a distopia criada por José Saramago, em que uma epidemia de cegueira coloca à prova a ética e o senso coletivo de uma sociedade.
O espetáculo chega à Mostra Lucia Camargo com sessões lotadas no Guairinha, confirmando o interesse do público por uma história que, apesar de escrita há décadas, continua ressoando com o mundo atual.
O diretor Rodrigo Portella durante ensaio de “(Um) Ensaio sobre a Cegueira”, montagem do Grupo Galpão apresentada no Festival de Curitiba.
Os ingressos foram os primeiros a esgotar.
Divulgação.
Um diretor que voltou ao interior para criar Nascido em Três Rios, no interior do Rio de Janeiro, Portella começou no teatro ainda adolescente e construiu uma carreira marcada por projetos independentes, festivais e uma relação profunda com o território onde cresceu.
Ao longo de três décadas, dirigiu espetáculos apresentados em mais de 90 cidades no Brasil e no exterior e acumulou prêmios importantes, como Shell, APTR e Cesgranrio.
Entre idas e vindas da capital, ele chegou a retornar à cidade natal para desenvolver projetos de formação artística e consolidar sua linguagem, marcada por cenários minimalistas e forte presença dos atores em cena.
Cena do espetáculo “Antes da Chuva”, dirigido por Rodrigo Portella, trabalho apresentado na Mostra Fringe que marcou a primeira indicação do diretor ao Prêmio Shell de Teatro e ampliou sua projeção nacional.
Divulgação. “A cegueira fala sobre o nosso tempo” Para Portella, adaptar o romance de Saramago hoje não é apenas uma escolha estética, mas política. “A gente vive um momento em que a realidade muitas vezes parece ficção.
A cegueira da peça é simbólica, mas também muito concreta: fala de indiferença, de falta de empatia, de como o coletivo pode ruir rapidamente”, diz o diretor.
Ele afirma que a parceria com o Grupo Galpão foi decisiva para encontrar o tom da encenação. “S
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