Funcionário da Fazenda de SP tinha 'manual de ocultação de bens' apreendido pelo MP em operação contra fraude no ICMS

‘Fisco Paralelo’: MP faz buscas em condomínio de luxo e mira servidores da Sefaz-SP A “Operação Fisco Paralelo”, do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), cumpre nesta quinta-feira (26) mais de 22 mandados de busca e apreensão contra funcionários da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz-SP) e um de prisão.
Ao menos 16 servidores das delegacias regionais fazendárias são alvo dos promotores.
Com eles, foram apreendidas grande quantidade de dinheiro em espécie e relógios avaliados em até R$ 1 milhão.
A prova mais surpreendente, segundo os investigadores, foi um arquivo encontrado na conta do Google de um dos fiscais presos anteriormente na chamada Operação Ícaro, Marcelo de Almeida Gouveia, intitulado “Instruções para fazer inventário”.
O documento puxou o fio da meada que resultou na operação dessa quinta-feira (26).
De acordo com os promotores, longe de ser um manual comum, o arquivo funcionava como um guia para lavagem de dinheiro da quadrilha.
O objetivo era garantir que o patrimônio obtido por meio de propina fosse mantido em “absoluto segredo” e pudesse ser acessado pelos beneficiários do esquema.
O manual indica que a propina era convertida em criptomoedas, como bitcoins, e mantida em carteiras de autocustódia.
Isso significa que, diferentemente de bancos, os valores ficavam em “carteiras frias” — dispositivos físicos semelhantes a pen drives, que não se conectam à internet e funcionam como cofres digitais, à prova de interceptação remota.
Para acessar esses recursos, o manual trazia instruções sobre o uso de “seed phrases” (frases de recuperação), códigos que costumam ser anotados em papel ou escondidos em objetos aparentemente inofensivos para evitar o bloqueio de bens e valores pela Justiça.
Dólares em paraísos fiscais Apreensão de dinheiro vivo em alvos da ‘Operação Fisco Paralelo’, do Ministério Público de São Paulo, que tem funcionários do governo de São Paulo como alvos.
Reprodução/TV Globo A investigação também apontou que Walter de Brito Reis, companheiro do fiscal Marcelo de Almeida Gouveia, atuava de forma ativa para ocultar o dinheiro de propina recebido pelo servidor da Sefaz-SP.
Segundo os promotores, Gouveia agiu em conluio com o fiscal Artur Gomes da Silva Neto em um esquema de isenção de créditos de ICMS paulista que favoreceu as empresas Ultrafarma e Fast Shop, alvos da primeira fase da “Operação Ícaro”, em agosto de 2025.
Brito Reis tentava movimentar mais de US$ 270 mil (mais de R$ 1,3 milhão) em uma conta conjunta ma
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