Mosquitos que transmitem malária na América do Sul estão ficando resistentes a inseticidas, aponta estudo

Mosquito Anopheles darlingi, principal transmissor da malária na América do Sul.
Romuald Carinci e Pascal Gaborit/Institut Pasteur de la Guyane Mosquitos da espécie Anopheles darlingi, o principal vetor da malária na América do Sul, estão desenvolvendo resistência genética a inseticidas em múltiplos países do continente. É isso o que aponta um estudo inédito publicado nesta quinta-feira (26) na prestigiada revista “Science”, com a particiapação de pesquisadores brasileiros. 🦟 Essa é a primeira vez que pesquisadores sequenciam o genoma completo de mais de mil mosquitos Anopheles nas Américas.
A amostra incluiu 1.094 fêmeas adultas coletadas em 16 localidades da Guiana Francesa, Brasil, Guiana, Peru, Venezuela e Colômbia, em ambientes como florestas, áreas úmidas, campos, zonas agrícolas, áreas de mineração e cidades.
E o resultado mais surpreendente foi justamente a resistência a inseticidas, fenômeno que até então havia sido observado de forma esparsa nessa espécie. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça “A resistência a inseticidas só havia sido documentada de forma pontual no Anopheles darlingi, que não foi submetido a campanhas intensivas de combate com inseticidas como as realizadas em outras partes do mundo”, afirma ao g1 Jacob Tennessen, cientista do Departamento de Imunologia e Doenças Infecciosas de Harvard e um dos autores do estudo. “Não esperávamos ver genes relacionados à resistência evoluindo tanto quanto vimos, e em tantos países diferentes.” Veja os vídeos que estão em alta no g1 O motor da resistência A hipótese mais plausível para essa resistência, segundo os pesquisadores, é que a pressão sobre os mosquitos não venha dos inseticidas usados diretamente no combate à malária — como os aplicados em mosquiteiros ou nas paredes das casas —, mas sim dos produtos químicos utilizados na agropecuária. 💧Para entender por quê, é preciso lembrar como esses insetos se reproduzem: as larvas do Anopheles darlingi se desenvolvem na água.
Desse modo, em regiões agrícolas, essa água pode estar contaminada por inseticidas que escorrem dos campos cultivados ou acumulados em valas de irrigação.
Assim, os mosquitos que sobrevivem a esse ambiente são, por seleção natural, justamente os que carregam genes de resistência.
E são eles que se reproduzem e passam essa característica adiante. É um processo semelhante ao que ocorre com bactérias e antibióticos: o uso disseminado de uma substância química cria, ao longo do tempo, uma popul
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