Siri-azul, a iguaria que a Venezuela teve que parar de exportar aos EUA: 'Muita gente ficou na rua'

Para 2022, o valor das exportações de siri-azul da Venezuela somou cerca de R$ 378 milhões, segundo a FAO Gustavo Ocando Alex As duas cestas de siris que um par de pescadores carregava ao descer do barco nas margens do Lago de Maracaibo pareciam pesadíssimas.
Cambaleando, caminharam rapidamente naquele meio-dia de meados de outubro de 2025 até uma balança pendurada sob um teto de chapas metálicas, enquanto alguns siris exibiam suas garras de cor turquesa, tentando escapar. “Oitenta e três!”, gritou um supervisor antes de anotar em um caderno o número de quilos de crustáceos frescos.
Eles juntaram as cestas junto a outras dez, também cheias.
Em sete horas de trabalho, eles encheram as cestas com centenas de exemplares de uma espécie muito apreciada nos Estados Unidos por seu sabor e baixo preço: o siri-azul da Venezuela. “É delicioso.
Tem gosto de lagosta”, comentou Jennifer Nava, porta-voz dos pescadores de El Bajo, Paraíso e San Benito. “Faz muito sucesso nos EUA”, acrescentou Nava, sorridente, sentada em uma rede de listras multicoloridas e usando um chapéu de palha.
Os Estados Unidos eram o único mercado da indústria venezuelana do siri-azul, em operação há 35 anos.
Mas, desde janeiro, tudo parou de repente: não houve mais exportações nem pesca.
A paralisação não se deveu à ofensiva militar dos EUA em Caracas naquele sábado (3/1) que levou à prisão do presidente Nicolás Maduro e abriu caminho para uma fase inédita nas relações políticas e energéticas entre os EUA e a Venezuela.
A paralisação teve origem em uma disposição legal nos EUA que nada tem a ver com geopolítica, mísseis ou petróleo, mas com a proteção marinha.
Veto por meio de uma lei antiquada O siri-azul do lago de Maracaibo é capturado por meio de métodos de pesca tradicionais Gustavo Ocando Alex Uma disposição da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA, na sigla em inglês) estabeleceu que os exportadores de peixes e produtos relacionados deveriam se certificar nos EUA, conforme uma norma de 1972 conhecida como Lei de Proteção dos Mamíferos Marinhos (MMPA, da sigla em inglês).
Em agosto de 2025, a Venezuela passou a integrar uma lista de 12 países que não podem exportar aos EUA nenhum produto pesqueiro por não terem obtido essa aprovação, segundo o MMPA.
Segundo a NOAA, Venezuela, Benim, Irã e Haiti não apresentaram solicitação para essas avaliações e, por isso, não obtiveram um relatório que os autorizasse a exportar.
Cerca de 89 países passaram pela verificaç
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